top of page

Psicologia + Negócios = Branding
Entender a mente humana pode transformar a sua marca.
Hoje em dia, não há quem não tenha ouvido falar de Carl Jung e suas teorias sobre a personalidade humana. Ele acreditava que a psique era composta de elementos conscientes e inconscientes, e que a mente inconsciente continha arquétipos universais, presentes em todas as culturas e períodos
de tempo.
1. O consciente, a Persona e o Ego
O mundo externo é onde começamos nossa jornada como parte de um coletivo. Este mundo é convencional e tem estrutura e ordem. À medida que crescemos, a nossa família, amigos, escola, religião, instituições e cultura moldam a nossa personalidade. Assim, vamos adquirindo uma “forma de pensar” através do nosso ambiente e do seu código de conduta, que vai nos direcionando sobre:
-
O que devemos acreditar,
-
O que as coisas significam,
-
Como devemos nos comportar,
-
O que devemos valorizar,
-
Como devemos nos perceber.
O EGO é a mente consciente, nossa personalidade, o senso de identidade pessoal, onde se organizam pensamentos, intuições, sentimentos e sensações. Na primeira metade da vida, interagimos com o mundo através do código de conduta que nos é apresentado, fazendo o nosso melhor para desenvolver egos saudáveis. Tudo isso ainda sem ter conhecimento sobre a parte inconsciente de nossas mentes.
A persona é a identidade ou personalidade que projetamos e apresentamos ao mundo. É como uma máscara que usamos em situações sociais; uma imagem idealizada e não um reflexo real da nossa consciência. Ou seja, a persona acontece a partir da nossa sombra, que esconde pensamentos e desejos reprimidos, ansiedades e outros aspectos ocultos da nossa mente consciente.
2. O inconsciente, os arquétipos e o SELF
O mundo interno da nossa mente, também chamado de reino psíquico, é onde se encontra o nosso inconsciente pessoal, que contém diversas emoções e memórias pessoais esquecidas, rejeitadas ou reprimidas. Representa tudo o que não sabemos sobre nós mesmos, mas que acaba influenciando nosso comportamento e nossas vivências sem nos darmos conta. É lá que reside a nossa sombra.
Jung acreditava que cada indivíduo possui um inconsciente coletivo, uma versão universal do inconsciente pessoal, que é compartilhado com todos os outros membros da espécie humana. Essas memórias ancestrais compartilhadas, nascidas da evolução, são chamadas de arquétipos e são representadas por temas universais que moldam nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos. Ao identificar e explorar esses arquétipos, podemos obter uma compreensão mais profunda das nossas motivações e conflitos inconscientes.
“Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir a sua vida e você vai chamá-lo de destino...”
A desconexão entre o pensamento consciente e inconsciente pessoal pode desenvolver conflitos internos que resultem em transtornos, complexos ou ansiedades de personalidade.
A forma de mitigar os efeitos desses conflitos internos é permitir que os pensamentos reprimidos no inconsciente cheguem ao consciente para serem “acomodados” (em vez de rejeitados). A unificação do consciente com o inconsciente se chama individuação; o processo através do qual uma pessoa se torna um indivíduo psicológico completo – a realização do self.
O SELF é a personalidade (consciente e inconsciente) unificada de uma pessoa. O self se realiza quando incorpora quantidades cada vez maiores de inconsciente, tanto pessoal como coletivo, resolvendo os conflitos que existem na mente do indivíduo. Ao tornar-se psicologicamente completa, a pessoa reconhece seu próprio valor e singularidade ao abraçar a sua luz e a sua
sombra também.
Psicologia + negócios = Branding
As teorias desenvolvidas por Jung sobre a psique, as personas, o inconsciente coletivo e os arquétipos tiveram um impacto significativo no campo da psicologia e também do Branding.
O marketing estuda o comportamento das pessoas que integram o público-alvo de uma marca para compreender seus desejos e necessidades mais profundos e não correspondidos. Na grande maioria das vezes, a persona de uma marca é criada para incorporar atributos e promessas que respondam a esses desejos. Dessa forma, as pessoas se identificarão com a marca, pois ela “promete” entregar algo que irá suprir essa “falta”.
No Branding, os arquétipos são uma ferramenta muito utilizada para construir a personalidade de marcas. Os arquétipos incorporam mensagens, comportamentos, valores e simbologia à narrativa da marca para representar a sua personalidade, criando uma identificação profunda e imediata com
os consumidores.
Posto, logo existo?
Hoje em dia, com o aumento da influência das redes sociais, o individualismo reina absoluto ao passo que a “presença digital” passou a ser mandatória para todos: marcas e pessoas. Há uma transformação significativa na forma como as pessoas interagem e se apresentam como marcas, tornando-se uma espécie de "produto" consumível por seus seguidores.
No começo, existiam alguns que resistiam a entrar no mundo do scrolling. Mas ao longo dos últimos anos, o comportamento e opinião de diversas pessoas sobre essa “presença digital” foi mudando. Um a um foram se rendendo a ter uma “janelinha” nos feeds para assistir ao desfile de personas fabricadas. E assim, passamos a consumir essas personas o tempo todo, assistindo à projeção de personalidades idealizadas e vidas perfeitas que, muitas vezes, nem são vividas no cotidiano de quem as apresenta. As redes sociais se transformaram em um baile de máscaras, um palco para as psiques em conflito e a insatisfação dos espectadores de seus feeds.
Após compreendermos como se estrutura a psique humana e a dualidade entre o código de conduta imposto pelo mundo e a dificuldade inerente ao conhecimento e domínio do nosso inconsciente, toda e qualquer influência externa de “personas fabricadas” se apresenta como nociva para mentes em formação. É preciso ter muita atenção para conduzir nossos adolescentes e jovens por esse desafio.
Finalmente, as marcas também têm responsabilidade ética de promover "personas" que tenham influência positiva sobre as pessoas. Isso significa criar identidades de marca que sejam autênticas, honestas, inspiradoras e que busquem ter um impacto positivo nas pessoas e na construção de um mundo mais autêntico, empático e saudável.
bottom of page
